{"id":14606,"date":"2022-01-06T18:14:38","date_gmt":"2022-01-06T15:14:38","guid":{"rendered":"https:\/\/scripts.farmradio.fm\/pt-pt\/?post_type=radio-resource-packs&#038;p=14606"},"modified":"2022-01-06T20:28:24","modified_gmt":"2022-01-06T17:28:24","slug":"malambe-cria-empregos-e-reduz-pobreza-em-mocambique-2","status":"publish","type":"radio-script","link":"https:\/\/scripts.farmradio.fm\/pt-pt\/guilao-de-radio\/malambe-cria-empregos-e-reduz-pobreza-em-mocambique-2\/","title":{"rendered":"Malambe cria empregos e reduz pobreza em Mo\u00e7ambique"},"content":{"rendered":"<p><strong>LOCUTOR:<\/strong> At\u00e9 recentemente, o malambe s\u00f3 era utilizado localmente em Mo\u00e7ambique, mas uma pequena rede de colectores, processadores, e fornecedores elevou o perfil da fruta no estrangeiro.<\/p>\n<p>O director da Baobab Products Mozambique, Andrew Kingman, diz que o estabelecimento da sua empresa nos distritos de Tambara e Guro come\u00e7ou a trazer receitas muito necess\u00e1rias para as comunidades, na sua maioria pobres, dessa \u00e1rea.<\/p>\n<p>Sr. Kingman, gostaria de come\u00e7ar por lhe dar as boas-vindas e agradecer-lhe por falar connosco hoje. Hoje, o nosso foco estar\u00e1 na cadeia de valor do malambe e no que a sua empresa tem feito nos distritos de Tambara e Guro.<\/p>\n<p><strong>ANDREW KINGMAN:<\/strong> Estamos sediados principalmente em Chimoio, na prov\u00edncia de Manica. Como sabem, o malambe \u00e9 um recurso que se encontra no centro e em muitas partes do norte e tem sido utilizado pela popula\u00e7\u00e3o local durante mil\u00e9nios. O fruto em si \u00e9 incrivelmente saud\u00e1vel. A polpa dentro da fruta \u00e9 rica em vitamina C e c\u00e1lcio. Por isso, muitas vezes \u00e9 dada a crian\u00e7as ou idosos porque \u00e9 f\u00e1cil de digerir e extremamente saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>Por volta do ano 2000, v\u00e1rias empresas na Europa come\u00e7aram a considerar a sua comercializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Havia uma cadeia de valor informal em Mo\u00e7ambique. Durante d\u00e9cadas, comerciantes do Malawi, Zimbabwe, e at\u00e9 certo ponto, Maputo, Beira, e Tete, viajaram para as comunidades e compraram a polpa de mulheres colectoras.<\/p>\n<p>Normalmente, essas mulheres encontram os frutos no ch\u00e3o ou usam paus longos para os retirar das \u00e1rvores, depois racham os frutos, abrem, retiram a polpa, e colocam-na num saco.<\/p>\n<p>Elas levavam de volta para a aldeia e colocavam os sacos nos cami\u00f5es dos comerciantes visitantes, que lhes pagavam uma ninharia; apenas algumas moedas por uma grande quantidade de polpa. As mulheres nada sabiam sobre a cadeia de valor, nada sabiam sobre para onde ia a polpa, para que servia o produto, ou qual era o pre\u00e7o final. E estes comerciantes beneficiaram-se dessa ignor\u00e2ncia durante d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>A nossa empresa, Baobab Products Mozambique, foi criada para encontrar oportunidades de mudar a forma como os fornecedores locais de malambe s\u00e3o tratados, e para garantir que possam obter um melhor neg\u00f3cio na cadeia de valor. Come\u00e7\u00e1mos a trabalhar no norte da prov\u00edncia de Manica em 2012.<\/p>\n<p>Fizemos alguma investiga\u00e7\u00e3o a n\u00edvel internacional e rapidamente identific\u00e1mos que havia um mercado internacional em crescimento. Assim, cri\u00e1mos a nossa pr\u00f3pria empresa em 2015 para comercializar o produto e promover a cadeia de valor.<\/p>\n<p>Quando come\u00e7\u00e1mos, a primeira coisa que fizemos foi multiplicar por quatro o pre\u00e7o pago aos colectores. E mantivemos esse compromisso.<\/p>\n<p><strong>LOCUTOR:<\/strong> Que mudan\u00e7as econ\u00f3micas as vossas opera\u00e7\u00f5es em Manica trouxeram?<\/p>\n<p><strong>ANDREW KINGMAN:<\/strong> Quando come\u00e7\u00e1mos, n\u00e3o t\u00ednhamos um mercado. Sab\u00edamos que o malambe seria principalmente um produto de exporta\u00e7\u00e3o, mas quer\u00edamos vend\u00ea-lo tamb\u00e9m a n\u00edvel nacional. Assim, a partir de 2017, temos vendido o malambe em p\u00f3 no mercado nacional.<\/p>\n<p>Nos primeiros anos, t\u00ednhamos talvez 500 mulheres a fornecer-nos, e compr\u00e1mos talvez 100 ou 150 toneladas da fruta. No ano passado, 1.390 mulheres venderam fruta \u00e0 empresa. Quando a colheita do malambe \u00e9 boa perto de algumas comunidades num ano, as mulheres dessa zona conseguem muita fruta, enquanto outras n\u00e3o conseguem tanta. Mas a m\u00e9dia \u00e9 de mais de $50 por mulher. E isso \u00e9 transformador para essa comunidade: as pessoas compram chapas para cobertura, motocicletas, gado. Temos centenas de hist\u00f3rias de como as mulheres est\u00e3o a ganhar recursos financeiros, que contribuem para a fam\u00edlia.<\/p>\n<p><strong>LOCUTOR:<\/strong> Trabalham apenas com mulheres? E tem fornecedores permanentes ou qualquer pessoa pode vender a voc\u00eas?<\/p>\n<p><strong>ANDREW KINGMAN:<\/strong> Contratamos as mulheres porque somos certificados pela EcoCert, uma certificadora org\u00e2nica da Europa, que tem normas muito rigorosas em quanto \u00e0 forma\u00e7\u00e3o. Todas as mulheres fornecedoras t\u00eam de passar por um processo anual de forma\u00e7\u00e3o e registo. Muitas delas j\u00e1 est\u00e3o connosco h\u00e1 anos. \u00c9 uma fonte de rendimento muito importante para elas, por isso retornam.<\/p>\n<p><strong>LOCUTOR:<\/strong> Porqu\u00ea s\u00f3 mulheres?<\/p>\n<p><strong>ANDREW KINGMAN:<\/strong> Em primeiro lugar, s\u00e3o as mulheres que tradicionalmente recolhem produtos colhidos selvagens, sejam plantas medicinais, folhas, frutas silvestres, esp\u00e9cies nativas de frutas, ou malambe. Elas fazem o processamento e a cozedura, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Est\u00e1vamos determinados para que o com\u00e9rcio n\u00e3o fosse dominado pelos homens, porque \u00e9 o que normalmente acontece assim que se d\u00e1 algum valor a uma actividade. Mas n\u00f3s n\u00e3o exclu\u00edmos os homens. Em muitos casos, trata-se de uma ocupa\u00e7\u00e3o familiar.<\/p>\n<p>Mas o empoderamento das mulheres n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de dinheiro. O que \u00e9 cr\u00edtico \u00e9 que s\u00e3o as mulheres que t\u00eam o contrato, n\u00e3o os homens. Isso altera o equil\u00edbrio do poder.<\/p>\n<p><strong>LOCUTOR:<\/strong> Quais s\u00e3o as vantagens de trabalhar apenas com mulheres?<\/p>\n<p><strong>ANDREW KINIGMAN:<\/strong> S\u00e3o s\u00e9rias, n\u00e3o tendem a beber na mesma quantidade, ou da mesma maneira que os homens.<\/p>\n<p>Conhecem a floresta, conhecem o processo, s\u00e3o confi\u00e1veis.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a nossa funda\u00e7\u00e3o est\u00e1 a trabalhar nestas comunidades no trabalho de alfabetiza\u00e7\u00e3o e numeracia, agricultura sustent\u00e1vel, gest\u00e3o de recursos naturais e organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria. Assim, o com\u00e9rcio do malambe d\u00e1-nos uma plataforma para trabalhar com a comunidade em geral.<\/p>\n<p>O que descobrimos \u00e9 que, nos \u00faltimos anos, tem havido uma mudan\u00e7a na din\u00e2mica do g\u00e9nero no agregado familiar. As mulheres relatam que s\u00e3o tratadas com mais respeito na comunidade. E no agregado familiar, assistimos a muitas mudan\u00e7as na forma como a tomada de decis\u00f5es acontece. Normalmente, os homens pegavam no dinheiro e decidiam o que era feito com ele. Agora, h\u00e1 muito mais exemplos em que h\u00e1 uma conversa na fam\u00edlia sobre a prioriza\u00e7\u00e3o do uso do dinheiro, porque ele \u00e9 mais substancial. E as mulheres est\u00e3o a usar o seu poder relativo para negociar espa\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>LOCUTOR:<\/strong> Qual \u00e9 o passo que segue ap\u00f3s a recolha dos frutos?<\/p>\n<p><strong>ANDREW KINGMAN:<\/strong> Temos muitos pontos de recolha. Quando a fruta entra, \u00e9 pesada, as mulheres recebem imediatamente o dinheiro se for no dia de pagamento, ou recebem um recibo do seu colector principal.<\/p>\n<p>Como sabem que v\u00e3o ser pagas, voltam no dia da compra, e transportamos as frutas para um dos quatro ou cinco centros de pr\u00e9-processamento onde rachamos a fruta e extra\u00edmos a polpa.<\/p>\n<p>LOCUTOR: Onde conseguem a maioria dos vossos clientes?<\/p>\n<p><strong>ANDREW KINGMAN:<\/strong> S\u00e3o na sua maioria internacionais. Estamos a ver grandes empresas a envolverem-se, e vendemos principalmente para os mercados europeus.<\/p>\n<p>Somos uma empresa comercial, estamos a tentar ter lucro, e queremos partilhar esse lucro com os nossos fornecedores.<\/p>\n<p>Entretanto, estamos tamb\u00e9m muito preocupados com a observa\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios de pr\u00e1ticas comerciais justas na comunidade e com o tratamento justo dos nossos fornecedores. Assim, tamb\u00e9m tentamos encontrar compradores que partilhem esses valores.<\/p>\n<p><strong>LOCUTOR:<\/strong> O que torna o malambe diferente de outros produtos agr\u00edcolas?<\/p>\n<p><strong>ANDREW KINGMAN:<\/strong> O que o faz sobressair como produto s\u00e3o as suas qualidades naturais. A polpa da fruta \u00e9 extremamente nutritiva. Estamos a falar de n\u00edveis de vitamina C que s\u00e3o quatro a cinco vezes o equivalente a uma laranja. Tem mais c\u00e1lcio por 100 gramas do que praticamente tudo em termos de fontes naturais; \u00c9 rico em pot\u00e1ssio, magn\u00e9sio e fibra diet\u00e9tica; E tamb\u00e9m sabe bem.<\/p>\n<p><strong>LOCUTOR:<\/strong> Est\u00e3o a operar em Manica. Ser\u00e1 isto algo que pode dar alguma riqueza aos habitantes locais num futuro pr\u00f3ximo?<\/p>\n<p><strong>ANDREW KINGMAN:<\/strong> Definitivamente. Para muitas comunidades nas zonas mais pobres, as zonas mais secas onde a agricultura n\u00e3o \u00e9 realmente muito gratificante, \u00e9 provavelmente a sua principal fonte de rendimento. O malambe deixou de ser algo que fornece algumas moedas extra para ser a mais importante fonte de rendimento em um ano para algumas fam\u00edlias.<\/p>\n<p><strong>LOCUTOR:<\/strong> Onde v\u00ea a sua empresa nos pr\u00f3ximos cinco anos?<\/p>\n<p><strong>ANDREW KINGMAN:<\/strong> Espero ver mais fornecedores a ganhar mais dinheiro e mais envolvidos na nossa empresa. Ajud\u00e1mos as mulheres a criar uma associa\u00e7\u00e3o de colectoras, que representa os interesses dos colectores na nossa empresa.<\/p>\n<p>At\u00e9 ao final deste ano, queremos transferir ac\u00e7\u00f5es para essa associa\u00e7\u00e3o. Queremos continuar a ajud\u00e1-las a desenvolver a sua capacidade de desempenhar realmente um papel na empresa e na cadeia de valor.<\/p>\n<p><strong>LOCUTOR:<\/strong> Quais s\u00e3o os maiores desafios para toda a cadeia de valor?<\/p>\n<p><strong>ANDREW KINGMAN:<\/strong> As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o um grande desafio. A previs\u00e3o a curto e m\u00e9dio prazo mostra que o centro de Mo\u00e7ambique vai ficar mais h\u00famido. O fornecimento de fruta foi afectado por grandes tempestades no final do ano passado, que retiraram todas as flores. Elas removeram tamb\u00e9m uma grande propor\u00e7\u00e3o das moscas que polinizam as flores e impediram o desenvolvimento da fruta. Portanto, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o definitivamente uma amea\u00e7a.<\/p>\n<p>A outra coisa \u00e9 que os mercados mundiais podem ser inconstantes e vol\u00e1teis. \u00c9 muito dif\u00edcil que pequenas empresas sobrevivam num mercado internacional desafiante. N\u00e3o temos muitas estruturas de apoio, \u00e9 dif\u00edcil conseguir empr\u00e9stimos banc\u00e1rios acess\u00edveis, gerir o fluxo de caixa, escassez, etc. Ent\u00e3o, a sustentabilidade \u00e9 um desafio.<\/p>\n<p><strong>LOCUTOR:<\/strong> No emergente sector do malambe em Mo\u00e7ambique, as associa\u00e7\u00f5es est\u00e3o a proliferar nos distritos de Guro e Tambara e \u00e9 exactamente l\u00e1 onde a Baobab Products Mozambique est\u00e1 a formar potenciais fornecedores. Ana Mlambo \u00e9 a coordenadora de forma\u00e7\u00e3o da BPM e explica sobre o envolvimento da associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 o tamanho da associa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>ANA MLAMBO:<\/strong> A associa\u00e7\u00e3o \u00e9 constitu\u00edda por 25 aldeias, das quais oito se encontram no Distrito de Tambara e as restantes s\u00e3o do Distrito de Guro.<\/p>\n<p>No ano passado, t\u00ednhamos cerca de 1.800 membros registados nestas 25 associa\u00e7\u00f5es de aldeias.<\/p>\n<p><strong>LOCUTOR:<\/strong> Como \u00e9 que funciona? Paga-se para aderir?<\/p>\n<p><strong>ANA MLAMBO:<\/strong> Para se tornar membro, voc\u00ea tem de estar registado e ter um contrato como fornecedor para a Baobab Products Mozambique, ou BPM.<\/p>\n<p>Quando faz a forma\u00e7\u00e3o, a BPM d\u00e1 contratos para a recolha de malambe. A associa\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 jovem e por vezes a BPM ajuda-a a olhar em frente para o que vai acontecer no pr\u00f3ximo ano e onde vai ser feita a abertura da fruta. E discutem pre\u00e7os futuros e onde ir\u00e3o fazer a recolha.<\/p>\n<p>Eles falam tamb\u00e9m do que os clientes externos querem e esperam em termos da qualidade dos alimentos produzidos e da qualidade e quantidade do produto.<\/p>\n<p><strong>LOCUTOR:<\/strong> Como \u00e9 que a recolha de malambe est\u00e1 a mudar a vida das pessoas comuns onde voc\u00eas operaram?<\/p>\n<p><strong>ANA MLAMBO:<\/strong> Mudou muito desde a \u00e9poca em que esta era considerada uma actividade apenas para mulheres. Quando a empresa come\u00e7ou a falar sobre comprar malambe, todos os alde\u00f5es, especialmente homens e l\u00edderes de aldeia, tiveram dificuldades em aderir.<\/p>\n<p>Mas agora, as senhoras vi\u00favas, as divorciadas, as que t\u00eam maridos &#8211; ganham um certo respeito na aldeia porque est\u00e3o a contribuir para o desenvolvimento da aldeia, e est\u00e3o a construir novas casas.<\/p>\n<p>Os maridos est\u00e3o agora a regressar para algumas comunidades, e na realidade come\u00e7am a recolher o malambe e a d\u00e1-lo \u00e0s suas esposas, que depois o vendem.<\/p>\n<p>Isto est\u00e1 a transformar-se num projecto familiar em que todos os membros da fam\u00edlia participam.<\/p>\n<p>Come\u00e7\u00e1mos com cerca de 500, mas agora temos 1.800 colectores. Entre estes, 25 s\u00e3o grandes colectores que compram dos seus colectores. E agora os l\u00edderes encontram realmente os agentes e falam com eles. Os agentes s\u00e3o compradores que podem vir a qualquer momento e comprar pequenas quantidades. Os l\u00edderes est\u00e3o tamb\u00e9m a pensar em outras vias para ganhar dinheiro. Portanto, h\u00e1 muitas coisas a acontecer aqui.<\/p>\n<p>No passado, via muitas mulheres sem nenhuma confian\u00e7a. Nem sequer tinham respeito pr\u00f3prio. Mas vejo mulheres com esta for\u00e7a, com a coragem de falar e defender este projecto, para defender o que est\u00e3o a fazer.<\/p>\n<p>Vejo tamb\u00e9m crian\u00e7as com grandes sorrisos a ir para a escola secund\u00e1ria, o que nunca tinha acontecido antes.<\/p>\n<p>Portanto, muita coisa mudou. As mulheres est\u00e3o a defender os seus direitos e a proteger as suas fam\u00edlias. Isto \u00e9 realmente algo de que eu falo com muita emo\u00e7\u00e3o. E estou orgulhosa de trabalhar com estas mulheres.<\/p>\n<p><strong>LOCUTOR:<\/strong> Sra. Ana, qual \u00e9 o seu papel na organiza\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>ANA MLAMBO:<\/strong> O meu papel principal \u00e9 formar estas mulheres e eu trabalho com elas para criar a associa\u00e7\u00e3o. A forma\u00e7\u00e3o inclui falar sobre a vida das mulheres, os problemas que enfrentam e como podem encontrar solu\u00e7\u00f5es sem sair das suas aldeias, e tamb\u00e9m dar-lhes as compet\u00eancias para implementar o sistema org\u00e2nico e para negociar com a empresa e como devem cuidar do ambiente. Elas precisam de cuidar das florestas e compreender o que acontece se houver muita explora\u00e7\u00e3o florestal com muitos focos de inc\u00eandio. Portanto, basicamente, esta \u00e9 a minha luta ao lado das mulheres.<\/p>\n<p><strong>LOCUTOR:<\/strong> Disse que a maioria destas mulheres n\u00e3o s\u00e3o letradas, e que as est\u00e1 a treinar. Qual \u00e9 o seu maior desafio nisso?<\/p>\n<p><strong>ANA MLAMBO:<\/strong> Come\u00e7\u00e1mos a trabalhar com as mulheres na educa\u00e7\u00e3o. Queremos ensinar as adolescentes a ler e escrever, queremos que elas compreendam, especialmente quando v\u00eam e v\u00eaem o malambe recolhido. O que devem esperar e o que devem olhar quando est\u00e3o a pesar os seus frutos? O que devem verificar quando est\u00e3o a registar a quantidade do malambe e como devem compar\u00e1-lo com a quantidade de dinheiro a que est\u00e3o a chegar?<\/p>\n<p><strong>LOCUTOR:<\/strong> Senhora Ana Mlambo, agrade\u00e7o muito pela sua contribui\u00e7\u00e3o e pelo seu tempo<\/p>\n<p>Cacilda Mandinhosa Trabuco \u00e9 uma vi\u00fava de 31 anos com quatro filhos e quatro anos de experi\u00eancia na recolha de malambe.<\/p>\n<p>Cacilda Mandinhosa Trabuco:<\/p>\n<p>A melhor maneira de ganhar a vida agora \u00e9 colher o malambe, embora seja sazonal. Durante a \u00e9poca baixa, vou a machamba para cultivar. Com o dinheiro que recebo da venda do malambe, compro roupa e comida e fa\u00e7o outros pequenos neg\u00f3cios como comprar e vender sal e a\u00e7\u00facar na aldeia onde vivo.<\/p>\n<p><strong>LOCUTOR:<\/strong> Febi Antonio Mainato \u00e9 uma m\u00e3e casada de 33 anos de idade, com quatro filhos, que cresceu em extrema pobreza. Ela v\u00ea uma oportunidade de ganhar a vida com a grande por\u00e7\u00e3o de terra que cont\u00e9m embondeiros perto dela.<\/p>\n<p>Febi Antonio Mainato: N\u00e3o sab\u00edamos que o malmbe tinha valor e sobrevivemos s\u00f3 na base de agricultura de subsist\u00eancia e da horticultura, apesar da temperatura seca aqui. Mas quando comecei a recolher o malambe em 2012, a minha vida deu uma volta. Hoje, posso mandar os meus filhos \u00e0 escola e a fam\u00edlia construiu uma casa adequada a partir do que ganho neste trabalho. Tamb\u00e9m ajudo o meu marido nas despesas dom\u00e9sticas e agora comemos comida melhor.<\/p>\n<p><strong>LOCUTOR:<\/strong> A oportunidade de colectar malambe parece estar a unificar as fam\u00edlias; todos membros da fam\u00edlia est\u00e3o envolvidos.<\/p>\n<p><strong>FEBI ANTONIO MAINATO:<\/strong> A fam\u00edlia est\u00e1 mais unida agora. O meu marido ajuda-me a construir cabanas onde guardo o malambe ap\u00f3s a recolha, e ele ajuda-me quando o estou a secar.<\/p>\n<p><strong>LOCUTOR:<\/strong> Ent\u00e3o, Mainato olha para o futuro com esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Maria William \u00e9 m\u00e3e de tr\u00eas filhos e divorciada com de 32 anos. Ela fez ecoar os mesmos sentimentos.<\/p>\n<p><strong>MARIA WILLIAM:<\/strong> Como divorciada, a pobreza e o sofrimento di\u00e1rio levaram-me a encontrar solu\u00e7\u00f5es para sobreviver, e recolher o malambe foi a \u00fanica resposta. Em 2018, n\u00e3o podia nem sequer mandar os meus filhos para a escola. Agora isto mudou e posso pagar as minhas pr\u00f3prias contas e mandar os meus filhos \u00e0 escola, e vivemos numa casa decente.<\/p>\n<p><strong>LOCUTOR:<\/strong> Mulheres como a Maria William s\u00e3o apaixonadas pelas actividades com o malambe, e querem mais forma\u00e7\u00e3o para ter mais oportunidades na \u00e1rea.<\/p>\n<p><strong>MARIA WILLIAM:<\/strong> \u00c9 necess\u00e1ria mais forma\u00e7\u00e3o porque queremos saber o que podemos fazer com o malambe de baixa qualidade, frutos que s\u00e3o mais pequenos ou partidos e que n\u00e3o s\u00e3o aceites pela empresa. Vejo muitas oportunidades no sector do malambe e \u00e9 isso que quero passar toda a minha vida a fazer, uma vez que n\u00e3o existem outras op\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia. Quero melhorar a qualidade da minha vida e um dia gostaria de comprar uma motocicleta e oferec\u00ea-la ao meu filho.<\/p>\n<p><strong>LOCUTOR:<\/strong> Depois de ser treinada pela BPM, Suzete Zita, uma m\u00e3e de quatro filhos com 37 anos de idade, produz iogurte a partir de frutos subutilizados como o malambe. Ela passa a maior parte do seu tempo a examinar cuidadosamente os frutos do embondeiro e outras plantas selvagens na sua casa rural no distrito de Manhi\u00e7a, 75 quil\u00f3metros a norte da capital, Maputo, para determinar se podem ser utilizados para aromatizar iogurte.<\/p>\n<p><strong>SUZETE ZITA:<\/strong> Tive a ideia de produzir iogurte com sabor a malambe, depois de alguns fazendeiros locais se queixarem de n\u00e3o terem onde vender o seu leite, e que por isso estavam a perd\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Costumava trabalhar numa esta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e falei com o meu antigo gerente sobre a minha ideia. Ele deu-me algumas dicas sobre como trabalhar com frutos silvestres e leite. Depois, h\u00e1 dois anos, comprei um fog\u00e3o e algumas panelas grandes para fazer o iogurte.<\/p>\n<p>Agora consigo ganhar cerca de $128 numa boa semana de trabalho de apenas cinco dias.<\/p>\n<p>Eu tinha um pouco de capital para outras ideias de neg\u00f3cios, mas pensava que os produtos de malambe eram uma ideia acess\u00edvel. Por isso, deixei todas as outras ideias e concentrei-me em fazer iogurte. Utilizei menos de $175 para iniciar o neg\u00f3cio, e recuperei esse dinheiro em menos de dois meses.<\/p>\n<p>Compro leite dos fazendeiros da minha aldeia para produzir o iogurte, que depois misturo com malambe em p\u00f3 ou fruta Vanguera infausto antes de o mandar pela auto-estrada perto da capital, Maputo, para venda. (Nota do editor: Vanguera infausto tem diferentes nomes comuns, incluindo mapfilua na l\u00edngua Shangana, falada pela maioria das pessoas no sul de Mo\u00e7ambique).<\/p>\n<p>Planejo construir a minha pr\u00f3pria f\u00e1brica de iogurtes, e estou agora em condi\u00e7\u00f5es de exportar iogurte fresco, com sabor a malambe para pa\u00edses vizinhos como Eswatini, \u00c1frica do Sul, e Zimbabu\u00e9.<\/p>\n<p>Sabe-se que a agricultura est\u00e1 principalmente associada ao sofrimento, e nenhum jovem quer sofrer. Assim, com a minha f\u00e1brica de iogurte, oferecerei aos jovens empregos no laborat\u00f3rio e trabalho administrativo no escrit\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>LOCUTOR:<\/strong> Suzete Zita faz parte de um grupo crescente de agricultores de sucesso que trabalham para elevar \u00e0 imagem da agricultura em Mo\u00e7ambique.<\/p>\n<p>Agrade\u00e7o pela vossa simp\u00e1tica aten\u00e7\u00e3o. Hoje, ouvimos Andrew Kingman, o director da Baobab Products Mozambique, Ana Mlambo, coordenadora de forma\u00e7\u00e3o da BPM, tr\u00eas mulheres que colectam o malambe, e uma mulher que processa o malambe em iogurte.<\/p>\n<p>Ficamos a saber que o malambe, que at\u00e9 recentemente era um fruto n\u00e3o popular em Mo\u00e7ambique, \u00e9 cada vez mais exportado para a Europa e EUA como um alimento saud\u00e1vel e popular, e que uma empresa chamada BPM est\u00e1 a ajudar a beneficiar alguns milhares de mulheres que recolhem a fruta silvestre, aumentando os pagamentos pelo seu malambe, tratando-as de forma justa, e permitindo-lhes ganhar a vida para as suas fam\u00edlias e comunidades.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LOCUTOR: At\u00e9 recentemente, o malambe s\u00f3 era utilizado localmente em Mo\u00e7ambique, mas uma pequena rede de colectores, processadores, e fornecedores elevou o perfil da fruta no estrangeiro. 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