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Porque é que este assunto é importante para os ouvintes?

Este assunto é importante para os agricultores, pois o que querem uma cobertura permanente devem saber:

  • Em que é que a cobertura do solo contribui para a sua saúde.
  • Quais as diferentes técnicas para manter a cobertura do solo.
  • Que tipos de culturas e resíduos são preferíveis para cobrir o seu solo.
  • Que superfície se deve cobrir. (Aconselha-se cobrir pelo menos 30 % do solo com resíduos da cultura).
  • Que quantidade se deve guardar e qual a que se deve manter no solo.
  • Que o plantio das culturas abrigo e culturas principais diminui o risco de desenvolver más colheitas.

Alguns dados essenciais.

  • Cobre o solo reduz a quantidade de sementes de ervas daninhas e asfixia ervas daninhas.
  • Cobrir o solo reduz a erosão da camada superior do solo.
  • Manter uma cobertura do solo permite preservar a humidade do solo, sobretudo em regiões áridas.
  • Os dois tipos de vegetação que devem ser usados para manter a cobertura do solo são as culturas-abrigo e a manta à base de resíduos de culturas anteriores.
  • Para os agricultores e agricultoras de exploração familiar, aconselha-se que as culturas abrigo possam também alimentar.
  • A manutenção da cobertura vegetal aumenta a fertilidade do solo e as quantidades de matéria orgânica no solo. As culturas abrigo podem fornecer até 50 toneladas de matéria orgânica por hectare.
  • As culturas abrigo permitem rendimentos adicionais a mais das culturas principais.
  • A utilização de leguminosas como o feijão-da-Flórida, o cânhamo e o lablab pode contribuir à redução de fertilizantes químicos entre 60 e 80 % sem diminuir os rendimentos.
  • Para lutar contra a erosão, os agricultores devem manter 30 % da cobertura do solo depois das colheitas.

Maiores dificuldades ligadas à manutenção da cobertura permanente do solo

  • Nas regiões semiáridas, as chuvas fracas tornam o crescimento das culturas abrigo mais lento.
  • A utilização doméstica de resíduos de cultura para fabricar telhados ou como forragem, pode complicar a manutenção de uma cobertura de solo o ano inteiro para alguns agricultores.
  • As pragas e doenças podem ser nocivas para algumas culturas abrigo, e portanto deixar o solo despido.
  • Os roedores como ratos e toupeiras alimentam-se de certas culturas abrigo.
  • Algumas espécies de térmitas atacam culturas abrigo, mas a maior parte delas é útil, por transforma-as em resíduos de matéria orgânica.
  • Incêndios acidentais podem destruir a manta de resíduos de cultura secos.

Aspetos específicos de género do trabalho de manutenção da cobertura permanente do solo

  • Na Etiópia, as mulheres dedicam mais tempo, e percorrem longas distancias a pé para encontrar alimentos para o gado quando os resíduos de cultura são utilizados para cobrir o solo.
  • Na Tanzânia, os agricultores e agricultoras de explorações familiares preferem as culturas abrigo que travam o crescimento de ervas daninhas, o que reduz o tempo de monda. Os homens, no entanto preferem as culturas abrigo que consigam vender no mercado.
  • Em África inteira, as culturas abrigo podem reduzir o trabalho que a monda impõe às mulheres.

Cobertura permanente do solo e alterações climáticas

  • A cobertura permanente do solo melhora a saúde dos solos, e os solos em boa saúde retêm o carbone que provoca as alterações climáticas.
  • A cobertura permanente do solo é geralmente associada a um trabalho reduzido do solo ou a uma cultura sem laboro. O trabalho de solo provoca uma emissão de carbono na atmosfera sob a forma de gás carbónico.
  • Solos mal geridos emitem gás carbónico na atmosfera, o que contribui para a mudança climática.
  • A recuperação de solos degradados e adopção de práticas de conservação do solo reduzem as emissões de gases a efeito de estufa, como o carbono e o óxido nitroso que contribuem para a mudança climática.

Para mais informações, consulte os documentos 1, 2, 3, 5 e 8.

Informações chave sobre a manutenção de uma cobertura permanente do solo.

1. Escolha das culturas abrigo\

As culturas abrigos servem de cobertura para o solo e melhoram a fertilidade dos solos, mas algumas também trazem alimento para pessoas e gado. Algumas culturas abrigo são
cultivadas em estação seca para cobrir o solo nu, enquanto outras são cultivadas em associação com a cultura principal durante a estação agrícola.

Antes de plantar culturas abrigo, lembre-se:

  • As culturas abrigo não devem impedir o crescimento da cultura principal.
  • Escolha culturas abrigo adaptadas às condições climáticas da sua região.
  • Nas regiões áridas onde há pouca água, as culturas abrigo devem ser resistente à seca, como por exemplo o feijão-frade, o lablab, o desmodium, a ervilha angolana, alfafa e feijão-da-Flórida.
  • Plante culturas abrigo que tragam mais vantagens, por exemplo: que possam ser utilizadas para fins medicinais, ou como alimentos, ou combustível.
  • Escolha as culturas abrigos em função da qualidade e quantidade de manta que trazem.
  • Quando os campos agrícolas estão situados próximo de campos de pastagem, escolha culturas abrigos que os animais não comam, como o feijão-espadinha ou o cânhamo.
  • Como culturas abrigos, as leguminosas descompõem-se mais rápido que as ervas, o que significa que as culturas principais utilizam os elementos nutritivos das leguminosas mais rápido.
  • Se as culturas principais forem a mandioca, variedades tardias do milet ou o sorgo, as melhores culturas abrigo são variedades de leguminosas de crescimento rápido que reco- bram o solo, como o feijão-frade, amendoim ou feijão.
  • Se as culturas principais forem o milet, o milho ou o sorgo precoce, as melhores culturas abrigo são as leguminosas de crescimento tardio, que cobrem o solo e produzem depois da cultura principal, como a ervilha angolana, o lablab e o feijão-frade tardio.

Métodos de plantação das culturas abrigo

  • Cultura intercalar : Na produção intercalar, as culturas abrigo crescem ao mesmo tempo que a cultura principal. Com a cultura intercalar, corre-se o risco da cultura abrigo travar o crescimento da cultura principal. Portanto é importante escolher as combinações certas de cultura. As culturas principais e culturas abrigos que podem ser cultivadas em simultâneo em meio árido são o milho com a ervilha angolana, o milho com o lablab, o mandioca com o feijão-frade. Nos meios mais húmidos, o milho pode ser cultivado com leguminosas como o feijão, o feijão-frade e feijão-da-Flórida mas estas associações devem ser evitadas em meios áridos.
  • Cultura alternada : Para a cultura alternada, a cultura abrigo é plantada no momento da monda da cultura principal, aproximadamente quatro semanas depois que esta tenha sido plantada, ou antes da colheita da cultura principal.
  • Cultura Dupla : Na cultura dupla, os agricultores plantam a cultura abrigo depois de colher a cultura principal. Isto só é possível em regiões onde o solo se mantêm suficiente- mente húmido para permitir o crescimento de uma segunda cultura.

Técnicas de plantação de culturas-abrigo:

  • Semeie as sementes das culturas abrigo de forma próxima na cultura dupla, e de forma mais espaçada quando faz cultura intercalar. Nas regiões mais áridas, recomenda-se que se espace o plantio das culturas abrigo para evitar que estas rivalizem com as culturas principais para a água.
  • Na cultura dupla, plante as culturas abrigo com sementes grande como o milho, o feijão e a abóbora com uma enxada, uma cana de plantação ou uma plantadora de tração animal.
  • O número de sementes por buraco depende da humidade do solo. Os agricultores devem semear muito poucas sementes por buraco nas regiões áridas.

Gestão de base das culturas abrigo

  • Rotação : Faça uma rotação das culturas abrigo com novas variedades a cada estação para reduzir riscos de epidemias e de pragas.
  • Plantação : Quando cultiva uma cultura abrigo em cultura intercalar ou cultura dupla, assegure-se que há espaço suficiente entre as sementeiras para evitar que a cultura abrigo impeça o crescimento da cultura principal ou que rivalize com ela pela água em regiões mais áridas.
  • Monda : As culturas abrigo devem ser deservadas pelo menos uma vez antes que se consigam implantar bem o suficiente no solo para o cobrir e asfixiar as ervas daninhas.
  • Luta contra as pragas e ervas daninhas : Utilize pesticidas biológicos ou pesticidas químicos seguros para combater pragas e doenças que ataquem as culturas abrigo, e plante culturas resistente às pragas e doenças.
  • Colheita : Antes de reduzir as culturas abrigo a resíduos, colha as sementes e conserve-as para as sementeiras seguintes. As sementes podem também ser vendidas ou servir de alimentação para pessoas e gado.
  • Conservar as sementes : Deite fora as sementes estragadas pelas culturas abrigo, depois seque e trate as sementes boas com um biopesticida menos tóxico para os humanos e ambiente. Conserve as sementes destinadas à plantação em sacos não herméticos ligeiramente aberto, ou em recipientes bem arejados.
  • Espaçamento : O número de sementes a semear por metros quadrados varia de uma cultura abrigo para outra. Para cada metro quadrado, semeie 3 a 4 sementes de lablab, 4 a 5 sementes de ervilha angolana grandes, 8 a 10 sementes de ervilha angolana anãs, 5 a 6 sementes de feijão-frade de tipo trepador, 10 a 20 sementes de feijão-frade de tipo arbusto e 2 a 3 sementes de feijão-da-Flórida.

Para mais informações consulte os documentos 1 e 5.

2. Palhagem

A palhagem consiste na cobertura do solo com os resíduos das culturas principais e culturas abrigo, assim como com resíduos de árvores e arbustos. Nas regiões mais áridas em período de seca, estes resíduos de árvores e arbustos permitem cobrir o solo nu para criar condições húmidas favoráveis à plantação de culturas abrigo.

A plantação ou preservação de árvores ou arbusto no campo abranda a erosão do solo, melhora a sua estrutura, limita a compactação do solo, traz-lhe sombra e corta o vento, o que reduz a evaporação e preserva a humidade do solo.

Fontes de palhagem

  • Arbustos leguminosos: estes arbustos fixam o azoto no solo melhorando a sua fertilidade. As suas folhas e ramos podem servir de palhagem para cobrir o solo. Arbustos como Calliandra, Leucaena leucocephana, Tephrosia de Vogel, Crotalaria, Sesbania e Gliricidia fornecem azoto ao solo ao cobri-lo. Ainda que tragam nutirentes ao solo, os resíduos de leguminosas decompõem-se rapidamente quando utilizadas como palhagem. Para que uma palhagem à base de leguminosas dure mais tempo, misture-as com gramíneas.
  • Árvores: árvores leguminosas como a Faidherbia albida, Grevillea robusta, e Prosopis juliflora têm folhas e ramos que melhoram a fertilidade do solo e o cobrem. Os resíduos lenhosos dos ramos de algodão podem também servir para cobrir o solo.
  • Sebes: os agricultores podem também utilizar espécies de árvores como a Gliricidia, Grevillea, Ziziphus e Cassia como corta-vento para impedir que a humidade se evapore do solo. Estas espécies podem também ser limpas para fornecer forragem para a palhagem.

Preparação da palhagem

  • Antes de fabricar palhagem à base de resíduos de alimentos colhidos, desfaça, moa ou retire os caules para matar o resto das plantas vivas.
  • Acrescente palhagem ao seu campo cortando os caules e espalhando-os no solo para o cobrir.
  • Os resíduos das leguminosas decompõem-se mais rápido que os ramos de cereais o que permite aos seus elementos nutritivos ser libertados mais rapidamente para permitir às culturas da estação seguinte usá-los.
  • Se quiser cobrir o seu solo durante muito tempo, misture restos de gramíneas com resíduos de leguminosas.

Cuidados a ter com palhagens de materiais vegetais

  • A utilização da striga ou de raiz de grama trava o crescimento de cereais como o milho, pois os murcha e atrasa o seu crescimento.
  • A raiz de grama é uma planta hospedeira para pragas e doenças que podem ser nocivas para a cultura principal. Depois de as desenraizar, destrua a raiz de grama deixando-a macerar num balda de água durante quatro semanas. Coloque um tijolo ou pedra na parte superior das plantas para as asfixiar até que morram. Senão, pode colocar as raízes de grama numa superfície em que não consigam crescer, como metal ou cimento, até que estas murchem.
  • Quando faz a palhagem, evite utilizar ervas daninhas floridas, pois as suas sementes podem crescer e ser nocivas para as culturas principais.

Para mais informações consulte os documentos 1, 2, 4, 7 e 9.

Outras fontes de informação

Documentos
1) IIRR and ACT. 2005. Conservation agriculture: A manual for farmers and extension workers in Africa, capítulo 1, 24 páginas. International Institute of Rural Reconstruction, Nairobi; African Conservation Tillage Network, Harare. Download: http://www.act-africa.org/content.php?com=5&com2=20&com3=38&com4=106&com5=#.WpwtiOjwaUk(1.10 MB).
2) Association for Strengthening Agricultural Research in Eastern and Central Africa (ASARECA), 2015. Case studies on gender mainstreaming in the SIMLESA Programme. http://www.asareca.org/sites/default/files/publica- tions/Lowres_ASARECA_SIMLESA_case_studies_Ver12.pdf(26.9 MB).
3) Bunch, Roland, 2012. Restoring the Soil: A Guide for Using Green Manure/Cover Crops to Improve the Food Security of Smallholder Farmers. http://www.fao.org/ag/ca/- ca-publications/restoring_the_soil.pdf (1.16 MB).
4) Conservation Farming Unit, non daté, Residue Retention and Mulching in CF. https://conservationagriculture.org/uploads/pdf/RESIDUE_RETEN- TION_VERSUS_MULCHING_-_7.2012.pdf (3.22 MB).
5) IIRR and ACT. 2005. Conservation agriculture: A manual for farmers and extension workers in Africa, capítuo 5, 22 páginas. International Institute of Rural Reconstruction, Nairobi; African Conservation Tillage Network, Harare. Download: http://www.act-africa.org/content.php?com=5&com2=20&com3=38&com4=106&com5=#.WpwtiOjwaUk (405 KB)
6) IIRR and ACT. 2005. Conservation agriculture: A manual for farmers and extension workers in Africa, capítulo 6, 14 páginas. International Institute of Rural Reconstruction, Nairobi; African Conservation Tillage Network, Harare. Download: http://www.act-africa.org/content.php?com=5&com2=20&com3=38&com4=106&com5=#.WpwtiOjwaUk (401 KB)
7) Food and Agriculture Organization, 2011. Green manure/cover crops and crop rotation in Conservation Agriculture on Small Farms. http://www.fao.org/docre- p/014/i2190e/i2190e00.pdf (1.63 MB).
8) Organisation des Nations Unies pour l’alimentation et l’agriculture, 2015. Les sols contribuent à lutter contre le changement climatique et à s’adapter à ses effets. http://www.fao.org/3/a-i4737f.pdf (480 KB)
9) Ask Organic, sem data. Composting Perennial Weeds. http://www.askorganic.co.uk/composting/perennial%20weeds.pdf(432KB)

Acknowledgements

Agradecimentos:
Redação : James Karuga, journalista agrícola, Kenya
Revisão : Neil Rowe Miller, agente técnico da agricultura de consrevação, Canadian Foodgrains Bank

Este documento foi produzido com o apoio da Canadian Foodgrains Bank para o projeto « Conservation Agriculture for building resilience, a climate smart agriculture approach. » (A agricultura de conservação para o reenforço da resiliência: uma abordagem agrícola inteligente face ao clima). Projeto realizado com o apoio financeiro do governo do Canada por meio dos Negócios Mundiais Canada. www.international.gc.ca.

Translated with funding from USAID.
USAID Washington Development objective: to support the New Alliance ICT Extension Challenge Fund through the implementation of affordable, scalable, and diverse ICT extension services.
AID-OAA-A-16-00003